segunda-feira, 19 de maio de 2008

O Sabor do Mirtilo

Ponto prévio: Wong Kar Wai está claramente no lote dos meus realizadores preferidos. Esteticamente nenhum outro realizador me consegue definir o conceito de belo de igual forma.

No entanto, no caso de My Blueberry Nights (O Sabor do Amor) não fui a correr, como habitualmente, ver o filme. Não só devido aos ocupados dias que atravesso mas também porque as crtitícas se dividiam. E principalemente porque estava com receio que, com este primeiro filme americano, Wong Kar Wai pela primeira vez me desiludisse.

Finalmente ontem fui ver o filme, e o resultado foi avassalador. Ao contrário dos critícos, não penso que este filme de Wong Kar Wai seja um filme menor na sua filmografia. É um filme que tem um argumento mais elaborado e não tão fragementado como em filmes anteriores, e não se chega ao limite da exploração artistica da camâra de "2046". Mas a história é muito consistente: em traços gerais é mais uma história de amor com encontros e desencontros de Wong Kar Wai, onde Elizabeth (Norah Jones, muito melhor do que esperava, na sua estreia) faz uma viagem pela américa, trabalhando em restaurantes e bares, a partir de Nova Iorque e passando pelo Tenessee, Arizona e Nevada, que acaba por ser uma viagem através de si própria através das pessoas que vai encontrando pelo caminho. Enquanto em Nova Iorque fica Jeremy (Jude Law), um emigrante inglês que veio para a américa para correr maratonas e acaba como dono de café, que vai exorcisando os seus fantasmas enquanto reforça a sua ligação com Elizabeth. Nesta sua viagem Elizabeth cruza-se com Arnie (David Strathairn) e Sue Lynne (Rachel Weizs), um ex-casal desavindo e posteriormente com Leslie (Natalie Portman, muito bem) uma solitária jogadora de póquer, que lhe transmitem novas experiencias sem no entanto mudarem o caracter sonhador e de certo modo ingénuo de Elizabeth.

O resto são os fantásticos planos de Wong Kar Wai (o plano final é simplemente fabuloso), os jogos de camâra, a sensualidade, a cor habituais e mais uma vez uma banda sonora fabulosa à qual não deve ser alheia a presença de Ry Cooder na direcção musical. Entre outros a presença de Cat Power (que também participa com um pequeno papel, no filme), da qual se pode ver uma nova versão do vídeo de "The Greatest" com imagens do filme.

http://www.youtube.com/watch?v=4cCupTpjjfo

Enfim e em conclusão: fortemente recomendado! Para quem já gostava de Wong Kar Wai e sem dúvida (e de aí pode vir a critíca dos habituais fundamentalistas) o mais fácil (o que em minha opinião não é sinonimo de pior) filme dele para quem não é tão dado a filmes fora do circuto Hollywoodiano.

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