Ponto prévio: Wong Kar Wai está claramente no lote dos meus realizadores preferidos. Esteticamente nenhum outro realizador me consegue definir o conceito de belo de igual forma.
No entanto, no caso de My Blueberry Nights (O Sabor do Amor) não fui a correr, como habitualmente, ver o filme. Não só devido aos ocupados dias que atravesso mas também porque as crtitícas se dividiam. E principalemente porque estava com receio que, com este primeiro filme americano, Wong Kar Wai pela primeira vez me desiludisse.
Finalmente ontem fui ver o filme, e o resultado foi avassalador. Ao contrário dos critícos, não penso que este filme de Wong Kar Wai seja um filme menor na sua filmografia. É um filme que tem um argumento mais elaborado e não tão fragementado como em filmes anteriores, e não se chega ao limite da exploração artistica da camâra de "2046". Mas a história é muito consistente: em traços gerais é mais uma história de amor com encontros e desencontros de Wong Kar Wai, onde Elizabeth (Norah Jones, muito melhor do que esperava, na sua estreia) faz uma viagem pela américa, trabalhando em restaurantes e bares, a partir de Nova Iorque e passando pelo Tenessee, Arizona e Nevada, que acaba por ser uma viagem através de si própria através das pessoas que vai encontrando pelo caminho. Enquanto em Nova Iorque fica Jeremy (Jude Law), um emigrante inglês que veio para a américa para correr maratonas e acaba como dono de café, que vai exorcisando os seus fantasmas enquanto reforça a sua ligação com Elizabeth. Nesta sua viagem Elizabeth cruza-se com Arnie (David Strathairn) e Sue Lynne (Rachel Weizs), um ex-casal desavindo e posteriormente com Leslie (Natalie Portman, muito bem) uma solitária jogadora de póquer, que lhe transmitem novas experiencias sem no entanto mudarem o caracter sonhador e de certo modo ingénuo de Elizabeth.
O resto são os fantásticos planos de Wong Kar Wai (o plano final é simplemente fabuloso), os jogos de camâra, a sensualidade, a cor habituais e mais uma vez uma banda sonora fabulosa à qual não deve ser alheia a presença de Ry Cooder na direcção musical. Entre outros a presença de Cat Power (que também participa com um pequeno papel, no filme), da qual se pode ver uma nova versão do vídeo de "The Greatest" com imagens do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=4cCupTpjjfo
Enfim e em conclusão: fortemente recomendado! Para quem já gostava de Wong Kar Wai e sem dúvida (e de aí pode vir a critíca dos habituais fundamentalistas) o mais fácil (o que em minha opinião não é sinonimo de pior) filme dele para quem não é tão dado a filmes fora do circuto Hollywoodiano.
Bem-Vindo
segunda-feira, 19 de maio de 2008
O Sabor do Mirtilo
Publicada por Meliante Farroupilha à(s) 06:15 0 comentários
segunda-feira, 12 de maio de 2008
It's like a skinny guy in a t-shirt doing all the saying
Domingo 22h na Aula Magna. Nota-se um quase nervosismo entre a "multidão". O concerto está prestes a começar. Eu pessoalmente apesar de uma das minhas bandas preferidas tinha outras coisas em mente. Ausências que serão sentidas ao longo daquele tempo, ter de me levantar cedo no dia seguinte, ir dormir pouco, todas essas coisas.
O concerto começa. Começa com a Brainy boa música, péssimo som. Público histérico. Inexplicávelmente histérico. Talvez seja eu que sou exigente, pretensioso até mas porra que histerismo. E as palminhas. As malvadas palminhas. Vão-se foder mais as palminhas. Dizia Blixa Bargeld no mesmo sítio na semana passada "vocês foram o público mais entusiasta e disciplinado que encontramos", Blixa sabe do que fala, entusiasta sim mas será que as pessoas que bateram palminhas no Baby we'll be fine sequer entendem a letra? Porra pá aquilo é triste, é fodido não é alegre nem contente nem para bater palminhas.
Até aqui passaram seis músicas. Seis músicas com toda a gente de pé. Eu continuo sentado e não percebo o porquê de todo aquele histerismo. Continuo sem perceber. Até aí, para mim, foi um bom concerto mas nada que já não tenha visto. São apenas bons músicos a tocar boa música nada mais. No final da sexta música diz Matt Berninger "This is a Love Song", diz-me um dos companheiros de concerto, "Olha vão tocar o About Today", ao que lhe respondo, "Não vão nada pá, é o Abel", e diz-me ele "O Abel? O Abel não é uma canção de amor pá" e eu digo-lhe "Vais ver então!". E aí começa aqueles acordes iniciais e começa "My mind is not right, my mind is not right" e aí tudo começa. Começa o meu concerto, começa aquilo que realmente queria ver. Os The National que eu realmente gosto.
A seguir vem Wasp Nest, talvez a minha música preferida do momento excepto a tal. Aqui começo a observar. Já em 2005 quando os apanhei numa tarde de sol tórrido tinha ficado com esta sensação. Matt Berninger é um gajo estranho. Tímido, sempre a sair de cena, passa o tempo a dar murros na mão e palmadas nas pernas, bebe desmesuradamente e só fala mesmo se tiver que ser. É um bocado trôpego a falar não tem muito jeito, diria eu. Ainda assim consegue ser alguém com uma presença que faz confusão.
Depois viro-me para a bateria. O John Lennon da bateria é muito bom. Aliás são todos muito bons, mas o baterista chamou-me à atenção. Confesso não gostei do violinista. Tem demasiada ferocidade na forma como toca. Aquilo que para mim é a grande virtude dos The National é exactamente essa capacidade para viver ali naquele parte onde tudo está prestes a rebentar mas que se vai sempre aguentando. Acho que é por isso que Matt Berninger é tão forte. Ele é a imagem dessa quase explosão que no fim nunca explode.
Com todos estes pensamentos o concerto vai andado. Já estamos no encore que vai belo, cada vez mais belo. Chega Mr.November e Matt explode. Começa a andar por ali fora deixa-se levar nos braços das Cheerleaders.
No fim vem Gospel e eu penso, "olha que foda-se, não vão tocar o About Today", isto claro depois de ter dito ao mesmo companheiro que "espero que não toquem o About Today". Obviamente que sempre quis que tocassem, mas é daquelas músicas que me toca de uma maneira rara.
No fim do Gospel começam umas guitarras e Aquela bateria, ainda tudo meio indefinido e eu digo ao mesmo amigo "Foda-se pá! Vão tocar o About Today" e aí o terror, alguém se lembra de começar com as palminhas no About Today. No About Today!
Passo-me e digo para alguém indefinido "Calem-se, caralho". Não vale a pena falar sobre a música em si, até porque não sei dizer muito.
Acaba tudo então e saio satisfeito. Podia ter sido melhor talvez, podia ter não havido palmas por exemplo, podia ter havido o Lit Up e o Karen mas também não fizeram assim tanta falta. Mas saio satisfeito. Os The National ganham as pessoas acima de tudo por uma honestidade que se nota em tudo o que fazem. Fazem sentir que ser uma rock star também pode ser para gente muito real. Gente muito simples com problemas simples como todos os nossos.
Publicada por Paulo "O Messias" à(s) 02:32 0 comentários
